Na sessão de quarta-feira (20), o Ibovespa registrou uma alta significativa, refletindo uma recuperação na bolsa paulista impulsionada por notícias positivas do mercado internacional. O índice que serve como referência para as ações brasileiras subiu 1,77%, alcançando 177.355,73 pontos, após ter atingido mínimas que não eram vistas desde janeiro no dia anterior. Durante a negociação, o índice chegou a tocar 178.198,87 pontos e caiu até 174.279,39 pontos ao longo do dia. O volume total negociado foi de R$28,45 bilhões.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 também apresentou um desempenho positivo, encerrando uma sequência de três dias de queda com um incremento superior a 1%. Esse movimento foi catalisado pelo otimismo gerado pelos resultados financeiros da Nvidia, que anunciou um lucro líquido de US$58,3 bilhões no primeiro trimestre e projetou uma receita de US$91 bilhões para o segundo trimestre, superando as expectativas do mercado.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano caíram, com o yield do Treasury de 10 anos fechando em 4,5755%, o que estimulou um maior apetite por risco nos mercados financeiros.
A queda nos preços do petróleo no mercado global também contribuiu para essa atmosfera mais otimista. As negociações entre os Estados Unidos e o Irã avançam, aumentando as expectativas sobre a diminuição das tensões no Oriente Médio e a normalização da navegação pelo Estreito de Ormuz.
DESTAQUES
- Setor Financeiro: Itaú Unibanco PN apresentou alta de 2,29%. Bradesco PN teve uma valorização de 2,7%, enquanto Banco do Brasil ON subiu 2,32% e Santander Brasil Unit aumentou em 2,62%. Apesar dessas recuperações durante o dia, os papéis ainda enfrentam perdas acumuladas em maio: 8,11% para Itaú Unibanco PN, 7,46% para Bradesco PN, 6,80% para Banco do Brasil ON e 5,48% para Santander Brasil Unit.
- Mineração e Siderurgia: Vale ON viu sua ação subir em 1,21%, beneficiada pela alta nos contratos futuros do minério de ferro na China. CSN Mineração ON teve um desempenho expressivo com elevação de 10,29%, impulsionada por um novo programa de recompra de ações.
- Petróleo e Energia: As ações da Petrobras mostraram quedas significativas: Petrobras PN recuou 3,23% e Petrobras ON caiu 3,85%, em meio à desvalorização do petróleo no exterior; o Brent fechou cotado a US$105,02 por barril com queda de 5,63%.
- Bolsa e Small Caps: B3 ON teve um aumento expressivo de 5,66%, recuperando-se da perda anterior de 4,96%. Contudo, ainda acumula uma queda próxima a 7% neste mês. AZZAS 2154 ON subiu 4,37%, enquanto o índice de consumo da B3 teve alta de 4,03%; a empresa anunciou a contratação do Itaú BBA como assessor financeiro. CURY ON encerrou o dia com alta de 8,53%, acompanhando um crescimento de 4,43% no índice imobiliário. A CASAS BAHIA ON destacou-se entre as small caps com uma impressionante valorização de 23,81%, cotada a R$1,56 após enfrentar perdas próximas a 53% em maio e tendo fechado em baixa em 11 dos últimos 12 pregões deste mês.
Imagem: Divulgação
Dólar
O dólar à vista experimentou uma queda significativa durante um dia caracterizado por maior apetite ao risco global. Ele fechou com desvalorização de 0,76%, cotado a R$5,0031 e acumulando uma redução total de 8,85% no ano frente ao real. Às 17h02 (Brasília UTC-3), o contrato futuro para junho cedia em torno de 0,90%, sendo negociado a R$5,0155.
A sensação otimista no mercado foi reforçada por dados publicados pela LSEG e Kpler que indicaram que três superpetroleiros passaram pelo Estreito de Ormuz rumo à Ásia após mais de dois meses aguardando passagem. A Guarda Revolucionária iraniana informou que nas últimas horas coordenou a passagem de cerca de 26 embarcações comerciais e petroleiros. No período vespertino desta quarta-feira (20), o presidente americano Donald Trump mencionou que está lidando com “pessoas razoáveis” e se mostrou disposto a aguardar alguns dias pela “resposta certa” do Irã sobre um possível acordo.
No decorrer do dia comercializado na B3,o dólar à vista variou entre máxima registrada em R$5,0589 às 10h10 e mínima atingida em R$4,9996 às16h16. Bruno Shahini,diretor da Nomad Investment Bank destacou que “A principal razão para alívio foi a queda acentuada nos rendimentos dos Treasuries e nos preços do petróleo que recuaram fortemente após declarações do governo americano sinalizando que está perto um acordo com o Irã além da normalização da navegação no Estreito.”
Petróleo
Os contratos futuros relacionados ao petróleo sofreram uma notável queda pelo segundo dia consecutivo devido ao avanço nas negociações entre os EUA e Irã e à expectativa sobre uma futura reabertura gradual do Estreito de Ormuz. O preço do Brent finalizou sua jornada comercial cotado a US$105,02 por barril com declínio de aproximadamente 5,6%. O WTI também fechou em baixa a US$98,26 com recuo semelhante na ordem dos 5,7%.
A movimentação no mercado acompanhou as declarações feitas por Trump sobre um possível “estágio final” nas discussões com Teerã que alimentaram as expectativas acerca da diminuição dos riscos associados à interrupção na oferta global do petróleo. Mesmo assim ele alertou sobre possíveis ações militares caso as tratativas não avancem como esperado. A retração dos preços ocorreu apesar da divulgação por parte do Departamento de Energia americano indicando uma diminuição nos estoques internos em cerca de sete milhões e novecentos mil barris na última semana – número superior às previsões que indicavam redução próximo a três milhões.
Dessa forma,a sessão refletiu tanto alívio geopolítico quanto reações dos investidores aos dados relativos à oferta que continuam impactando positivamente na volatilidade observada no setor das commodities.
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