Justiça determina suspensão das obras do “Times Square” em São Paulo, bloqueando a instalação de telões
Decisão liminar interrompe o projeto Boulevard São João e solicita documentos da prefeitura
Nesta quarta-feira, a juíza da 4ª Vara da Fazenda Pública emitiu uma liminar que interrompe imediatamente o projeto de revitalização denominado Boulevard São João. Essa medida inibe qualquer tipo de obra ou instalação ligada à iniciativa, incluindo a montagem de painéis de LED no cruzamento das ruas Ipiranga e São João.
A juíza argumentou que o tamanho do projeto e os impactos esperados na área justificam essa ação cautelar. Para ela, há um risco considerável de danos à comunidade caso as mudanças sejam implementadas sem uma adequada transparência.
Além disso, a decisão suspendeu temporariamente a autorização dada pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana para o empreendimento e bloqueou a formalização do termo de cooperação entre o município e os empresários responsáveis pelo projeto.
A ação foi movida por membros da sociedade civil, incluindo arquitetos e instituições técnicas, que solicitaram acesso a atas, pareceres e ao texto do acordo antes que qualquer montagem fosse iniciada nos edifícios do centro histórico.
Agora, aguarda-se um recurso: a administração municipal pode tentar contestar essa decisão judicial, enquanto as partes envolvidas devem apresentar os documentos exigidos pelo tribunal.
Descrição do projeto, medidas propostas e o impacto da suspensão
O projeto Boulevard São João inclui intervenções na área entre o Largo do Paiçandu e a Praça Julio Mesquita, com a instalação de quatro grandes painéis em fachadas emblemáticas do centro.
Esses painéis teriam tamanhos variados, desde estruturas médias até superfícies que poderiam atingir várias dezenas de metros, com o intuito de atrair visitantes e exibir conteúdos artísticos e publicitários.
Além da instalação dos LEDs, o plano contemplava o fechamento temporário do cruzamento para veículos durante os finais de semana, além da criação de pequenos palcos para apresentações regulares, feiras e um evento público mensal.
Havia também propostas para melhorias urbanas como restauração de fachadas históricas, instalação de mobiliário urbano, recuperação de áreas verdes e ações voltadas para a cultura local, com investimentos privados anuais estimados em milhões ao longo do acordo.
As regras operacionais estavam delineadas no projeto — incluindo horários para funcionamento dos painéis — e prometiam estratégias para minimizar efeitos negativos no tráfego e na vizinhança; porém, todas essas iniciativas estão agora suspensas até que os documentos requisitados pela justiça sejam analisados.
Esse episódio levanta questionamentos sobre o futuro do centro: enquanto há planos para dinamizar a vida noturna e estimular a economia local, opositores clamam por mais estudos detalhados, maior transparência e garantias para proteger tanto a paisagem quanto a rotina dos moradores.
Imagem: Divulgação
